Flanar

A palavra nova nem sempre é uma nova palavra.

Poderia usar caminhante, mas flâneur tem um signo muito próprio.

É claro e evidente, mesmo que algum ouvido não tenha o hábito.

Caminhar é banal. Flanar é autêntico.

Um passeio desinteressado, mas nada desinteressante: verde, branco, azul e si mesmo no meio de tudo.

Quem caminha pela cidade sem esquinas, percorre a novidade da Poesia.

Há som de passarinho, verde, branco, azul e flor. E curvas, muitas curvas. No flanar durante o dia, há a proteção das árvores e dos pilotis.

No flanar durante a noite, há a lua, luzes acessas e o silêncio madrigal.

E sempre, sempre curvas. Muitas.

Flanar é autêntico.

Flanar na cidade sem esquinas é conceitual.

Bom Jesus – PI, 21 de setembro de 2020.

Terourinhas em Brasília-DF. Foto: Novacap

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